Coruja

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Quando você olha para os olhos de uma coruja, é como se ela arrancasse de dentro de você todos os seus segredos mais obscuros, como se estivesse ensinando a não temer nada e ninguém . Não seja ingênuo, coruja quando olha para o céu não está em busca de oração e sim da presa.

Esta ave de hábitos noturnos para muitos povos simboliza conhecimento e sabedoria por sua capacidade de enxergar através da escuridão, vendo o que os outros não vêem.
Enquanto os demais dormem, ela fica acordada vigilante e atenta a tudo que ocorre a sua volta, além disso, consegue girar seu pescoço em até 270° para observar ao seu redor, permanecendo com o restante do corpo sem o menor movimento. A grande capacidade de visão e audição torna a coruja exímia caçadora e devido a estas características ela representa, em muitas culturas, uma poderosa e profunda conhecedora do oculto.
Sua imagem também está ligada a reflexão, conhecimento racional e intuitivo. Uma tradição antiga dizia que quem comesse sua carne adquiriria os dons de previsão e clarividência, mostrando poderes divinatórios.
Quando um pai ou mãe ressalta com certo exagero as qualidades dos filhos diz-se que são pais corujas e o mesmo adjetivo se estende a outros familiares com comportamento semelhante.
Por ter hábitos noturnos e morar em cavernas, alguns associam a imagem da coruja ao inconsciente humano. Também para os gregos, que consideravam o período da noite como o momento propício para o pensamento filosófico e para revelações, esta ave era vista como símbolo de busca pelo conhecimento.
No império romano ela era tida como um animal agourento e seu canto anunciaria que a morte estava próxima. Na china, a coruja desempenha um importante papel como animal aterrorizante, ligado ao raio que clareia a noite, ao tambor que atravessa o silêncio e ao predomínio do principio yang (yin e yang) intensificado até a destruição.

  • A coruja na Religião Afro – Iyá-Mi Osorongá

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“As Senhoras do Pássaros da Noite – Quando se pronuncia o nome de Iyá-Mi Osorongá, quem estiver sentado deve-se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Orixá, a quem se deve apreço e acatamento.”  – Jorge Amado

Iyá-Mi Osorongá é a síntese do poder feminino, quando os Iorubas dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade. Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá-Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de Março e Maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade. As iyá-Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos. A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza. Toda a mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá-Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, assustou sempre os homens. As mães são compreendidas como a origem da humanidade e o seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.
Iyá-Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá-Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá-Mi é manifesto em toda a mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu. As denominações de Iyá-Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte. As feiticeiras mais temidas entre os Iorubas e no Candomblé são as Àjé e, para se referir a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro. O aspecto mais aterrador das Iyá-Mi e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro do mesmo nome e rompe a escuridão da noite com o seu grito assustador.

Coruja

As Iyá-Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. O lado bom de Iyá-Mi é expresso em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi. As Iyá-Mi, juntamente com Exú e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá-Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.

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